Não sei o que fazer da vida

quinta-feira, janeiro 18, 2018
 Eu não suporto ter que definir a minha vida inteira com apenas 18 anos. Na verdade, eu comecei a fazer isso com 16. Não vou mentir, naquela época decidir um curso superior parecia fascinante e fácil de resolver. Era a oportunidade perfeita para eu poder fazer um curso que me daria uma brilhante carreira, talvez não com muito status e dinheiro, mas com muito amor e dedicação. E aí já levei o primeiro tombo. 
 Eu não tinha condições de mudar de cidade e fazer o que eu realmente queria na época. Foi difícil ficar presa a opções de curso disponíveis em Jequié quando nenhum deles, absolutamente nenhum, tinha alguma proposta que realmente me agradasse. Mas ok. Escolhi o “menos pior” e fui fazer. 
 Depois de dois anos no mesmo curso, ainda não me acostumei com ele. Pelo contrário, está cada dia pior. Cada vez mais insuportável. É um curso com amplas opções no mercado de trabalho e eu olho para elas e penso: EU ODEIO CADA UMA DE VOCÊS. 
 E sabem o curso que eu tanto queria fazer antes e não podia sair da cidade para fazê-lo? Também olho pra ele e pra todos os outros e não consigo mais achar tanta graça em nada. Porque eu não sei mais se quero mesmo fazer uma faculdade. Porque eu tenho medo de largar 2 anos já feitos do curso atual e entrar em outro curso para acabar sentindo que aquilo ali também não é para mim. Porque eu não me sinto capaz de mais nada. Porque eu olho pra mim e percebo que não consegui concluir nada de muito concreto na vida, então me sinto obrigada a terminar o curso atual para ter a sensação de dever cumprido. 
 O difícil é ouvir que isso é normal. Porque não é normal, gente! Todo mundo merecia uma chance de se descobrir, de escolher passar, pelo menos, um ano fazendo coisas que ajudassem a descobrir o que realmente quer, mesmo que fosse descobrir que quer passar longe do Ensino Superior. Porém, já cedo todas essas obrigações começam a pular na sua frente, te empurrando um sistema de educação desumano goela abaixo e te deixando com a impressão de que você não é bom o suficiente porque não consegue conciliar sua vida acadêmica, profissional e pessoal. 
 Aqui estou eu com 18 anos, já há 2 anos na faculdade (“uau!”, eles dizem), com bolsa 100% ProUni, fluente na língua inglesa, com CNH na mão E UMA TENTATIVA DE SUICÍDIO NAS COSTAS.

Não sei o que fazer da vida com 18 anos

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