Um amor para recordar

segunda-feira, março 12, 2018
Um amor para recordar

 Depois de 4 anos, 10 meses e 1 semana eu ainda me pego pensando no quanto sinto sua falta e no quanto queria que você estivesse aqui. É difícil compreender a morte! Uma hora quem a gente gosta está aqui e em outra hora, só existe na nossa memória.
 Como entender que essas memórias existentes não poderão ser completadas com outras tantas, porque você não está mais aqui para fazê-las comigo? Como aceitar que você não teve como completar o Ensino Médio, tentar um vestibular, se casar ou ter filhos?
 A dor no peito me lembra das coisas boas que eu deixei de falar pela minha imaturidade e dos momentos que eu deixei de viver, sem me dar conta de que eu não iria ter você a vida toda por perto. Sem perceber que, na verdade, eu te perder em muito perto.
 O pior sentimento é dito como o de saudade, mas eu posso afirmar que o arrependimento sabe competir à altura. O arrependimento de não ter escutado você tocar violino, de não ter te dado a atenção que você merecia em vida e de não ter te dito o quão importante você era.
 Eu te liguei quando você estava no hospital e não consegui falar com você. E eu não tentei de novo. Eu achei que você fosse sair dali, que eu poderia te encontrar pessoalmente. Mas eu não pude. Não antes de você estar gelado naquele caixão e de levar com você um pedacinho de mim.
 Depois da sua partida, eu aprendi a ser mais humana. A valorizar mais um sorriso e o que há por trás dele, depois de saber que você nunca parou de sorrir, mesmo sabendo que havia um câncer te corroendo por dentro. Eu aprendi que a hora de dizer sobre a importância das pessoas ao meu redor é exatamente agora, porque posso não ter mais a oportunidade dentro de alguns segundos.
 Eu tenho duas coisas a te dizer: "me desculpa" e "muito obrigado". E é claro que eu gostaria de te dizer mais coisas, mas eu logo lembro que você não está aqui para ouvir. Meu coração se dilacera de saber que nada vai te trazer de volta, que eu te perdi para sempre. 
 E tudo que me resta é contar o tempo que você se foi, para saber há quantos anos, meses, semanas e dias eu tenho uma marca que nunca vai cicatrizar, uma saudade que nunca vai curar e uma história que eu nunca vou poder continuar.

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